Quais países protegeram a saúde e a economia na pandemia?

economia ou covid 19

As respostas à pandemia costumam ser formuladas em termos de encontrar um equilíbrio entre a proteção da saúde das pessoas e a proteção da economia. Presume-se que os países enfrentam uma compensação entre esses dois objetivos. Mas essa suposição é verdadeira?

Uma forma preliminar de responder a essa pergunta é observar como os impactos econômicos e de saúde na pandemia se comparam em diferentes países até agora. Os países com taxas de mortalidade mais baixas viram desacelerações maiores?

Comparando a taxa de mortalidade da COVID-19 com os dados mais recentes do PIB, vemos o oposto: os países que conseguiram proteger a saúde de sua população durante a pandemia geralmente também protegeram sua economia.

Este gráfico mostra a escala do declínio econômico recente em 38 países para os quais os dados mais recentes do PIB estão disponíveis (Brasil não disponibilizou esses dados).

1 Ele traça a queda percentual do PIB observada no segundo trimestre (abril – junho) de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado , ajustado pela inflação.

Vemos que em alguns países a retração econômica foi de fato extremamente severa: na Espanha, no Reino Unido e na Tunísia, a produção da economia no segundo trimestre foi mais de 20% menor do que no mesmo período do ano passado. Isso é 4 a 5 vezes maior do que qualquer outra queda trimestral registrada para esses países.

2 E no Peru, a queda anual foi ainda maior, de 30%.

Em outros países, porém, o impacto econômico foi muito mais modesto. Em Taiwan, o PIB no segundo trimestre de 2020 foi menos de 1% menor do que no mesmo período de 2019. Finlândia, Lituânia e Coreia do Sul registraram quedas em seu PIB de cerca de 5% ou menos.

Nenhum sinal de uma compensação entre saúde e economia, muito pelo contrário.

Os países que experimentaram o maior declínio econômico tiveram um melhor desempenho na proteção da saúde do país, como seria de se esperar se houvesse uma compensação?

O gráfico aqui mostra os mesmos dados do PIB ao longo do eixo horizontal. Ao longo do eixo vertical está o número cumulativo de mortes por COVID-19 confirmadas por milhão de pessoas.

Ao contrário da ideia de um trade-off, vemos que os países que sofreram as crises econômicas mais severas – como Peru, Espanha e Reino Unido – estão geralmente entre os países com a maior taxa de mortalidade COVID-19.

E o inverso também é verdadeiro: países onde o impacto econômico foi modesto – como Taiwan, Coréia do Sul e Lituânia – também conseguiram manter a taxa de mortalidade baixa.

Observe também que os países com quedas semelhantes no PIB testemunharam taxas de mortalidade muito diferentes. Por exemplo, compare os EUA e a Suécia com a Dinamarca e a Polônia. Todos os quatro países viram contrações econômicas de cerca de 8 a 9 por cento, mas as taxas de mortalidade são marcadamente diferentes: os EUA e a Suécia registraram de 5 a 10 vezes mais mortes por milhão.

Claramente, muitos fatores afetaram a taxa de mortalidade do COVID-19 e o choque para a economia, além das decisões políticas tomadas por cada governo sobre como controlar a propagação do vírus. E os impactos totais da pandemia ainda não foram vistos.

Mas entre os países com dados de PIB disponíveis, não vemos nenhuma evidência de um meio termo entre proteger a saúde das pessoas e proteger a economia. Em vez disso, a relação que vemos entre os impactos econômicos e de saúde da pandemia vai na direção oposta. Além de salvar vidas, os países que controlam o surto com eficácia também podem ter adotado a melhor estratégia econômica.

Artigo original: https://ourworldindata.org/covid-health-economy

Sobre Lucas Carvalho 10 Artigos
Historiador como formação, pesquisador por paixão, anos dando aulas de História, Inglês e Tecnologia, agora minerando dados pela internet.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta